1 de maio, dia Internacional do Trabalhador

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O trabalho é o que permite ao homem a transformação da natureza em cultura. O trabalhador é aquele que modela a realidade e a coloca ao serviço da necessidade de todos.Trabalhar significa criar, significa ser.                                                                                                                            

Um Ofício que Fosse de Intensidade e Calma

Um ofício que fosse de intensidade e calma
e de um fulgor feliz E que durasse
com a densidade ardente e contemporâneo
de quem está no elemento aceso e é a estatura
da água num corpo de alegria E que fosse   fundo
o fervor de ser a metamorfose da matéria
que já não se separa da incessante busca
que se identifica com a concavidade originária
que nos faz andar e estar de pé
expostos sempre à única face do mundo
Que a palavra fosse sempre   a travessia
de um espaço em que ela própria fosse aérea
do outro lado de nós e do outro lado de cá
tão idêntica a si que unisse o dizer e o ser
e já sem distância e não-distância nada a separasse
desse rosto que na travessia é o rosto do ar e de nós próprios

António Ramos Rosa, in "Poemas Inéditos"

Publicado em 29/04/2014

 

As bibliotecas dinamizam… Memorial do Convento

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CasadosAfetos

 

 30 de abril

 Centro Paroquial S. Pedro

 

A companhia teatral Casa dos Afetos levará à cena a obra Memorial do Convento, uma adaptação da obra de José Saramago.

Estarão presentes alunos do ensino secundário de todo o concelho de Cantanhede.

  

 

 

Publicado em 29/04/2014

Sob o signo de abril

40anos25abrilAssinalaram-se os 40 anos do 25 de abril. Mais do que uma data, este aniversário significa as múltiplas conquistas que o povo português alcançou: saúde, educação, desenvolvimento social, segurança e paz.

Mas, porque nunca nada está assegurado, e, como dizia Camões, tudo é composto de mudança, urge continuar a pensar em abril, nem que seja através da voz dos poetas.

 

ABRIL DE ABRIL

Era um Abril de amigo Abril de trigo
Abril de trevo e trégua e vinho e húmus
Abril de novos ritmos novos rumos.

Era um Abril comigo Abril contigo
ainda só ardor e sem ardil
Abril sem adjetivo Abril de Abril.

Era um Abril na praça Abril de massas
era um Abril na rua Abril a rodos
Abril de sol que nasce para todos.

Abril de vinho e sonho em nossas taças
era um Abril de clava Abril em ato
em mil novecentos e setenta e quatro.

Era um Abril viril Abril tão bravo
Abril de boca a abrir-se Abril palavra
esse Abril em que Abril se libertava.

Era um Abril de clava Abril de cravo
Abril de mão na mão e sem fantasmas
esse Abril em que Abril floriu nas armas.

Manuel Alegre (1995). 30 Anos de Poesia. Lisboa: Publicações Dom Quixote.

Publicado em 29/04/2014

Projeto Vercial

Quando queremos saber mais sobre autores portugueses, e queremos encontrar informação de qualidade, podemos nos socorrer do Projeto Vercial.

Dinamizado pela Universidade do Minho, nesta página encontramos textos de referências, ebook e outros materiais que podem ser relevantes para os nossos trabalhos de investigação. Explore aqui.

http://alfarrabio.di.uminho.pt/vercial/index.html

Publicado em 29/04/2014

Semana da Leitura │ 800 anos da língua portuguesa

Exposições e Palestras no Agrupamento Finisterra entre 31 de março e 3 de abril.

O Homem através das palavras

O que é ser Homem?  Uma questão que nos interpela todos os dias. Cada um de nós é, em cada dia, o Homem. Porém, nem sempre temos presentes respostas que nos permitam compreender o que somos.

O saber da Psicologia dá-nos essa compreensão nas suas múltiplas dimensões de conhecimento. Ler Psicologia é aceder às múltiplas facetas do que somos num determinado momento e ao longo do tempo. Ler Psicologia é aceder à compreensão do Homem através das palavras.

No Boletim Bibliográfico "O homem através das palavras" encontramos, organizados por temas, livros disponíveis na Biblioteca Escolar Clara Póvoa.

Espreite, escolha, leia, descubra(-se)...

 

 

 

Mundos da Lusofonia

Olhe, tenho uma alma muito prolixa e uso poucas palavras. 

Sou irritável e firo facilmente. 

Também sou muito calmo e perdôo logo. 

Não esqueço nunca. 

Mas há poucas coisas de que eu me lembre.

Clarice Lispector

A língua portuguesa é uma das mais faladas do mundo.

Com a língua, há todo um universo partilhado de modos de ser e de estar, vivências acumuladas no sedimento de sentidos que as palavras captam: «A nossa língua comum foi construída por laços antigos, tão antigos que por vezes lhes perdemos o rastro».[1]

Mas também é longa a distância. Só muito enganadoramente poderemos pensar que sabemos o que é ser brasileiro, angolano, moçambicano, cabo-verdiano, guineense, timorense ou são-tomense porque partilhamos a mesma língua. Será a mesma língua, mas nem sempre as mesmas palavras e estas nem sempre sedimentaram o mesmo sentido. Porque «o que nos faz ser pessoa não é o Bilhete de Identidade. O que nos faz pessoas é aquilo não cabe no bilhete de identidade».[1]

A literatura de cada um destes países expressa esses outros universos de vida que nos são, por vezes, tão distantes. 

Assim eu vejo a vida

A vida tem duas faces:

Positiva e negativa

O passado foi duro

mas deixou o seu legado

Saber viver é a grande sabedoria

Que eu possa dignificar

Minha condição de mulher,

Aceitar suas limitações

E me fazer pedra de segurança

dos valores que vão desmoronando.

Nasci em tempos rudes

Aceitei contradições

lutas e pedras

como lições de vida

e delas me sirvo

Aprendi a viver.

                                                        Cora Coralina


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